"Propriedades Nutricionais
e Health Claims
em Baby Food: Uma análise
qualitativa para fins regulatórios"
XXVIII JORNADA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA
Autores: Camilla Medeiros Fortunato, Marcos Paulo Marzollo Maria, Victor Pimentel
Diogo
Orientador: Luiz Eduardo Carvalho
Data: 2006
Tipo de apresentação: Painel
Resumo: Alimentos industrializados para bebês,
incluindo aqueles que mimetizariam o leite humano, destacam ingredientes
"funcionais" em seus rótulos, sinalizando a violação do espírito
da severa legislação que protege o aleitamento materno. O objetivo desta
pesquisa é identificar, descrever e avaliar esse fenômeno, à luz das ciências
nutricionais e do instrumental regulatório vigente; e discutir as
dificuldades e limitações semânticas, que obstam precisar identidades,
confundindo-se conceitos de propriedades nutricionais com efeitos na saúde,
de composição química com "health claims'.
A especificidade desses alimentos, de seus consumidores-alvo e das anunciadas
"funcionalidades" obriga a adoção de metodologia qualitativa,
transcendendo assim quantificações como localização no rótulo e a dimensão
e cor das letras. Rotular como "sem colesterol" é informar sobre a
composição química, mas o consumidor lê como informação em saúde, não
em química; e rotular como "sem lactose" é apenas uma indicação
sobre o perfil do consumidor-alvo. Mas rotular como "Contem PreBio3"
constitui fenomenologia muito particular e distinta: em vez de uma substância
química definida, anuncia a adição de um "nome de fantasia". Não
parece razoável imaginar que os consumidores entendam o significado de
"contém PUFA". Ou se isso apenas mimetiza o leite materno ou, em
verdade, qualifica falsamente a infant formula como superior ao aleitamento. Não
se trata, portanto, de avaliar produtos para grupos com patologias e dietas
especiais, e assim anunciados; mas de produtos para consumo universalizado dos
bebês, em substituição total ou parcial do leite humano.
Todos os "substitutos" disponíveis no mercado do Rio de Janeiro -
encontrados em 3 hipermercados e 20 drogarias, de abril a junho de 2006 -
tiveram seus rótulos estudados, encontrando-se "claims" como:
Anti-Regurgitação, Hipoalergênico, Sem Lactose, Contém Nucleotídeos,
Adicionado de LC-PUFA, Probiótico (com Bifidus), Plus (acidificado) e Com
Ferro. Os 3 primeiros "claims" expressam identidades dietéticas -
definindo destinar-se a segmentos com patologias diversas, inclusive alergia -
e fogem do escopo desta pesquisa, que foca as "funcionalidades"
universalizantes para crianças sadias. Cada um destes nutrientes é então
tratado como "estudo de caso", considerando-se as normas da ANVISA e
do Codex Alimentarius FAO/WHO e observando-se o significado para a saúde
infantil e para a economia popular. Discute-se também os conceitos de
"informação nutricional" e "health claim", que se
mostram insuficientes e impróprios para esses alimentos, não bastasse ser
inaceitável que mimetizações do leite materno se anunciem umas melhores que
as outras e, de certa forma, até melhores que a secreção hormonal natural,
induzindo assim consumidores a erro, colocando sob risco a nutrição e a saúde
de crianças menores de 12 meses.