"Ciência e Consumo em tempos de universidade neo-liberal"

 

 

 

- 2ª BIENAL DA UNE -

Área de conhecimento: Ciências Biomédicas

Autores: Morais, B; Chrispim, P. P.; Paiva, I.; Nicolich, R.; Littleton, M.
Orientador: Carvalho, L.E

Data: Fevereiro/2001

Resumo: O potencial da universidade brasileira contemporânea - no atendimento das demandas sociais sobre qualidade de alimentos - é pesquisado pelo LabConsS, através de experiências vivenciadas, por bolsistas de um Grupo PET/CAPES, operacionalizando um site de orientação a consumidores (www.ufrj.br/consumo). São abordados temas como: alimentos transgênicos , naturais e/ou orgânicos, alimentos para dietas especiais, nutracêuticos, medicamentos, babyfood etc. Tal cobertura, apesar da grande importância e interesse social, encontra-se escassamente trabalhada em nível acadêmico; o projeto estuda ainda: adequação curricular às novas demandas do mercado, interesse dos alunos pela saúde coletiva, e perfil da demanda pública por informações (alimentos, nutracêuticos, cosméticos, medicamentos etc.). Cada um desses aspectos, pela dimensão e complexidade, exige estudo particular e aprofundado. Entretanto, dados preliminares e parciais apontam que: i) a demanda pública é predominantemente de adolescentes, ocupados com trabalhos escolares, e;ii) graduandos que apresentam dificuldade na redação de respostas. Nesse âmbito, algumas hipóteses podem ser delineadas: i) se consumidores quase não consultam, mas apenas crianças forçadas pela necessidade de aprovação escolar, isso evidencia uma sociedade cética ou desmobilizada para o jogo de forças com fabricantes e governo regulador; ii) a universidade não dispõe de recursos, nem concede prioridade acadêmica, para a realização de trabalhos dessa natureza, sendo a extensão dependente do trabalho voluntário, enquanto pesquisas e consultorias, para o setor privado, propiciam complementações salariais; iii) patrocínios externos inviabilizam uma ciência voltada para o social, pois mesmo o Ministério da Saúde e multinacionais de alimentos e agrotóxicos não iriam patrocinar trabalhos que revelam o caos e os desmandos da vigilância sanitária e o riscos à nutrição e saúde pública; iv) mesmo havendo recursos, permaneceria o problema do conhecimento hoje produzido não estar dirigido para utilização social, prática e imediata; v) o novo estado, agora regulador, não dá conta de regular transgênicos, edulcorantes, agrotóxicos e outros insumos modernos de alto risco; vi) a universidade tampouco inclui esses tópicos no programa das disciplinas, mesmo porque são assuntos de mercado, e não assuntos acadêmicos convencionais. Lab de Consumo & Saúde FF/UFRJ ( labconss@ufrj.br )