"Gordura Trans na Dieta Infantil Brasileira: Avaliação da Ingesta a Partir dos Teores Declarados na Rotulagem de Biscoitos "

 

-XXIX JORNADA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, ARTÍSTICA E CULTURAL/UFRJ -

Área de conhecimento: Saúde Pública

Autores:

Marcos Paulo Marzollo Maria - Graduando, Faculdade de Medicina - UFRJ

Victor Pimentel Diogo - Graduando, Faculdade de Medicina - UFRJ

Orientador: Luiz Eduardo Carvalho
Prof. do Depto. de Produtos Naturais e Alimentos, Faculdade de Farmácia - UFRJ.

Data: Outubro de 2007
Tipo de apresentação: Painel

Resumo:

O objetivo desse estudo é identificar e analisar a rotulagem informativa sobre a presença e teores de gorduras trans em alimentos do mercado brasileiro e ensaiar uma  estimativa do risco de se estar consumindo esse ingrediente em níveis acima daqueles estabelecidos pelas autoridades de segurança alimentar. O recorte do objeto da pesquisa privilegiou a categoria "biscoitos", seja porque é um produto que geralmente contem gorduras como ingrediente, seja principalmente porque é uma categoria de consumo universal, em todas as faixas etárias e de renda, em especial por crianças e outros segmentos biologicamente vulneráveis da população. Foram pesquisados os rótulos de biscoitos ofertados ao consumo em 3 diferentes supermercados do Rio de Janeiro, no período de janeiro a maio de 2007, encontrando-se 13 marcas que, considerando suas variações de sabores, totalizaram 41 diferentes rótulos, os quais foram classificados em três categorias: i. wafers; ii. recheados; e iii.“maisena”.

Da rotulagem foram coletados e tabulados os dados referentes a: teor de gordura trans declarados por porção; tamanho da porção; e número declarado de porções por pacote. A partir desses dados, foram então calculados, de acordo com os critérios e propósitos da pesquisa:  (1) a quantidade de unidades necessárias para atingir o limite diário estabelecido como tolerável para ingestão de gordura trans (máximo de 2 g/dia, que é o limite máximo estabelecido pela OMS);  e (2) a quantidade necessária para atingir uma ingestão diária de 5 gramas (quantidade relacionada a um aumento em 25% de chances de se desenvolver algum tipo de cardiopatia), bem como a percentagem relativa a um pacote.

Observou-se que, para atingir e ultrapassar o limite máximo tolerável estabelecido pela OMS para gordura trans (2 g/dia),  na grande maioria das amostras (34 dos 41 biscoitos), bastaria ingerir apenas 30% de um pacote de biscoitos, enquanto apenas duas não atingiam a quantidade de 2 g por pacote. Já em relação ao nível de mais alto risco (5 g/dia de gordura trans), em 5 dos produtos bastaria ingerir apenas até 30% do pacote para que o limite de risco fosse atingido. Outros 28 produtos atingem esse limite bastando consumir entre 30 e 100% do pacote. De todas as amostras analisadas, apenas 4 não ultrapassaram 0,2 g/porção, podendo então ser considerados e rotulados como “isentos de gordura trans”, segundo as normas da ANVISA  (Portaria SVS nº 27/98).

Conclui-se que os limites máximos toleráveis de gorduras trans estão sendo atingidos com a ingestão de uns poucos biscoitos mas que, para estudos de risco toxicológico em populações, seria imperativo adicionar ainda a quantidade dessas gorduras ingerida através de outros alimentos. Ou seja, o consumo de gordura trans, atualmente, representa um elevadíssimo risco à saúde pública, ameaçando inclusive o segmento infantil, sendo insuficiente essa medida de simples registro na rotulagem, o que é agravado por não haver clareza suficiente dessa informação nos rótulos.