"Bebidas Lácteas com Lactobacilos: Conceito, Identidade, Percepção e
Rotulagem à Luz da Legislação Sanitária"

 

-XXIX JORNADA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA, ARTÍSTICA e CULTURAL/UFRJ -

Área de conhecimento: Saúde Pública

Autores:

Victor Pimentel Diogo - Graduando, Faculdade de Medicina - UFRJ

Márcia dos Santos Dias - Graduada, Faculdade de Farmácia - UFRJ


Orientador: Luiz Eduardo Carvalho
Prof. do Depto. de Produtos Naturais e Alimentos, Faculdade de Farmácia - UFRJ.

Data: Outubro de 2007
Tipo de apresentação: Painel

Resumo: O objetivo deste trabalho é identificar, através de análises da embalagem e da rotulagem de produtos classificados como "leites fermentados contendo lactobacilos vivos", a precariedade dos instrumentos regulatórios vigentes no processo de proteção à saúde e à economia da população. Depois de muitos anos no mercado, sendo fabricado por uma indústria de "nutracêuticos" - e não propriamente uma agroindústria de alimentos e, menos ainda, uma indústria laticinista - esse tipo de produto vem passando por acelerada expansão, com popularização do consumo e multiplicação de tipos, de marcas e de fabricantes, agora tradicionais empresas produtoras de sobremesas lácteas. A questão central é a banalização de um produto originalmente anunciado como "probiótico", de caráter farmacêutico, e de como esse fenômeno é manipulado, em aspectos científicos, para induzir o consumidor ao erro. Foram encontrados, de março a maio de 2007, em 3 supermercados do município do Rio de Janeiro, produtos de 7 fabricantes (e marcas) que, considerando variações de sabores e dimensões, totalizaram 20 diferentes rótulos. Foram tabulados e trabalhados os dados sobre aditivos alimentares, preços de venda e teor de nutrientes, sendo este último comparado também com o de alimentos tradicionais como o leite integral e o iogurte. Observou-se teores protéicos comparativamente muito inferiores nos leites fermentados, ou de apenas 68,6% e 51,8% das proteínas do leite e do iogurte, respectivamente; também o teor de cálcio é comparativamente muito inferior, limitando-se a 63,6% e 52,4% dos teores presentes, respectivamente, no leite integral e no iogurte. A perda protéica e mineral torna-se ainda mais grave se considerarmos que as embalagens são pequenas (variando entre 65g e 120g), o que resulta numa perda de 83,7% da ingestão de proteínas, quando se substitui um copinho de iogurte por um potinho desses leites fermentados. Ou seja, um copo de iogurte tem um teor protéico mais de seis vezes superior aos "leitinhos fermentados". Já a adição de açúcar parece exagerada, o que fica evidenciado quando comparado com o teor de carboidratos no leite integral e no iogurte (até 307% acima do leite integral e 279% acima do iogurte natural).
Complementarmente, os rótulos nada informam sobre a natureza e quantidade (UFC) dos lactobacilos presentes, nem também sobre a posologia ou ingestão recomendada para diferentes faixas etárias. Conclui-se que a legislação da ANVISA é obsoleta frente às modernas práticas da bromatologia e do marketing, trazendo prejuízos à nutrição infantil, no momento em que essa categoria de produtos, originalmente proposto como um probiótico, um carry-over de culturas lácticas para compor a flora microbiana intestinal, passa a receber corantes e aromatizantes, bem como a apresentar imagens de personagens de historinhas infantis, em busca de se caracterizar como uma alternativa alimentar e nutricional para crianças de tenra idade.