"Percepções e Argumentos sobre Ruído Urbano e Saúde Pública: as cartas e queixas de leitores aos jornais"

 

XXVIII JORNADA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA

 

Autores: Marcos Paulo Marzollo Maria, Victor Pimentel Diogo
Orientador: Luiz Eduardo Carvalho

Data: 2006
Tipo de apresentação: Painel

Resumo: O ruído é mais um dos constantes desconfortos contemporâneos, causados pelo meio urbano em acelerado processo de expansão e degradação ambiental. Definido como o som capaz de provocar dano ao aparelho auditivo, o ruído interfere desde a capacidade de atenção, até complicações fisiológicas de maior porte, e vem assumindo crescente preocupação em saúde publica.
O objetivo desta pesquisa, declaradamente exploratória, é identificar, caracterizar e analisar a natureza e o discurso de manifestações públicas acerca de desconfortos causados por ruídos no meio urbano, buscando contribuir não só para o delineamento de alternativas de políticas em meio ambiente e saúde coletiva, mas também para o delineamento de novos projetos de pesquisa nesse emergente campo interdisciplinar e multiprofissional. Tomando como objeto de estudo cartas de leitores publicadas no jornal o Globo (Rio de Janeiro) nos meses de maio e junho de 2006, e também, cartas e entrevistas publicadas no Caderno de Bairros (Zona Sul), desse mesmo jornal, de janeiro a julho de 2006, selecionou-se, como indicadores, as seguintes categorias: gênero e localização geográfica do reclamante; freqüência relativa dessas reclamações; responsabilização institucional do problema; o teor e a linguagem.
A partir da estruturação e quantificação dos indicadores passíveis de exploração na amostra disponível, foram realizadas análises baseadas em metodologias qualitativas. No período pesquisado, foram publicadas em O GLOBO 20 cartas com reclamações sobre ruídos urbanos, (55% mulheres e 45% homens) além de várias reportagens no Caderno Zona Sul. As queixas quanto à natureza do problema se distribuíram em 25% de ruídos oriundos de estabelecimentos comerciais, 25% provocados por eventos públicos, 10% relacionados a sinaleiras de garagem; e 10% advindos de fogos de artifícios, enquanto os restantes 30% se distribuíram por vários outros motivos. Quanto a localizações geográficas, as reclamações concentraram-se nas zonas norte (40%) e sul (40%). Merece destaque o fato que 70% das cartas não fazerem sequer alusão indireta à identificação do órgão público que seria responsável pela fiscalização ou aplicação da infração.
A indefinição de atribuições e responsabilidades que dilui-se de forma imprecisa e difusa entre as instituições da Policia Militar, Secretaria de Meio Ambiente, Guarda Municipal e Secretaria de Saúde, não parecem decorrer de uma incapacidade transitória das autoridades administrativas. Pelo contrário, as observações cruzando-se as cartas de leitores com as reportagens parecem consolidar a hipótese de que essa é uma estratégia de sobrevivência adotada conscientemente pelas autoridades, para que assim continuem viabilizando a implementação de políticas públicas descompromissadas com o bem estar, saúde e interesse público, e, nesse contexto, o ruído urbano não seria mero resultante de uma desregulação da acústica, mas sim uma conseqüência direta de políticas urbanísticas anti-sociais.